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Pesquisa com 400 líderes no Brasil aponta desafio de definir responsabilidades pela IA

Levantamento divulgado pela Thoughtworks combina influência dos CEOs e indefinições entre líderes de tecnologia e IA. Os dados refletem respostas da amostra, não um censo das empresas brasileiras. Entenda o que essa discussão muda para RH e carreira.

A Thoughtworks divulgou em 7 de outubro de 2026 os resultados do Global CIO Survey 2026 sobre liderança e governança de inteligência artificial. Conduzido pela Censuswide, o levantamento ouviu 3.200 executivos de tecnologia em dez países, incluindo 400 no Brasil. O comunicado informa que, na amostra brasileira, 39,8% apontam o CEO como principal influenciador das decisões de IA.

Outro resultado chama atenção para a coordenação: 35,8% dos respondentes brasileiros relatam atritos ou indefinição de responsabilidades na relação entre CIO, liderança de tecnologia, e CAIO, liderança de IA. O resumo regional oficial apresenta esse resultado arredondado para 36%. As respostas descrevem percepções de executivos; não demonstram, por si só, a qualidade dos sistemas ou o desempenho das organizações.

Crédito: comunicado institucional da Thoughtworks, distribuído pela PRNewswire em 07/10/2026, sem assinatura individual. Original: https://www.prnewswire.com/br/comunicados-para-a-imprensa/pesquisa-da-thoughtworks-revela-que-ceos-lideram-agenda-de-ia-no-brasil-mas-governanca-ainda-gera-atritos-302900160.html . A página oficial reúne o estudo e seu resumo brasileiro: https://www.thoughtworks.com/insights/reports/global-cio-survey-2026 . O comunicado não detalha datas de coleta ou margem de erro; os percentuais não devem ser generalizados para todo o mercado nacional.

Análise Orbite: a organização do trabalho precisa entrar no projeto. Para RH e gestores, uma forma de tornar a discussão concreta é escolher uma tarefa e descrever o caminho entre o pedido e a entrega. Quem fornece a informação? Quem pode usar a ferramenta? Quem confere o resultado? Quem autoriza uma ação? Uma decisão anunciada pela liderança só vira rotina quando as pessoas entendem suas responsabilidades e conseguem encontrar ajuda diante de uma dúvida.

Imagine um exemplo hipotético de preparação de materiais para uma entrevista. Uma ferramenta poderia ajudar a organizar perguntas a partir dos requisitos de uma função. O recrutador precisaria verificar se cada pergunta é pertinente, compreensível e proporcional ao trabalho esperado. A ferramenta não deveria criar requisitos ausentes nem completar informações sobre uma pessoa. Esse é um exercício editorial para discutir responsabilidades, não um caso apresentado pela pesquisa.

O próximo passo pode ser registrar a entrega esperada e os critérios de revisão em uma página. Inclua situações em que o procedimento deve parar: informação insuficiente, resposta que contradiz a fonte ou pedido fora da finalidade combinada. Teste essas situações com material fictício. Ao revisar o piloto, acompanhe o tempo de execução junto com o esforço de conferência. O resultado útil é aquele que a equipe consegue explicar e reproduzir com qualidade.

Para a liderança de RH, vale conversar com as áreas responsáveis sobre como as pessoas serão preparadas. Uma orientação de uso pode descrever a tarefa permitida, o material autorizado e o caminho para comunicar erros. Reserve um momento para ouvir quem executa a atividade: uma instrução que parece clara para o gestor pode deixar dúvidas na rotina. O acompanhamento precisa permitir ajustes no procedimento, além de ensinar comandos de uma ferramenta.

Na avaliação de competências, peça exemplos ligados à função. Um profissional pode explicar como conferiu uma recomendação automatizada, identificou uma informação que faltava ou decidiu solicitar revisão. Explore o raciocínio e a comunicação do problema. Não é necessário transformar familiaridade com uma marca de IA em requisito universal. A exigência deve ter relação com o trabalho, e o exercício precisa oferecer condições comparáveis entre participantes.

Para quem está construindo carreira, um pequeno portfólio pode mostrar essa capacidade de julgamento. Escolha uma atividade com dados fictícios, apresente o rascunho produzido com apoio de IA e registre as correções realizadas. Explique o que você decidiu manter, o que alterou e por quê. A transparência sobre o processo torna a conversa mais rica do que apresentar apenas uma resposta final, sem indicar como foi verificada.

O estudo abre uma discussão sobre coordenação entre lideranças, mas sua leitura deve respeitar o alcance da amostra. Para aplicar a ideia ao trabalho, a recomendação da Orbite é começar por uma atividade delimitada e por responsabilidades compreensíveis. Perguntas sobre revisão, encaminhamento de dúvidas e formação podem revelar necessidades concretas que os percentuais de uma pesquisa, isoladamente, não conseguem explicar.

Para quem contrata

Análise Orbite: escolha uma tarefa de IA e documente quem prepara, revisa, autoriza e acompanha a entrega. Teste situações de erro com dados fictícios e inclua treinamento e tempo de conferência na avaliação do piloto.

Para sua carreira

Análise Orbite: mostre um exemplo de uso de IA com rascunho, correções e justificativas. Explique quando faltou informação e por que você pediu revisão; competência envolve conferir e comunicar, além de operar uma ferramenta.

Fonte: Thoughtworks / PRNewswire