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Pesquisa global da PwC aponta queda no acesso à capacitação e risco de saída entre especialistas em IA

Pesquisa da PwC com 49.364 trabalhadores em 48 países aponta que 51% têm acesso aos recursos de desenvolvimento necessários, ante 59% no ano anterior. O levantamento também mostra maior intenção de saída entre profissionais com competências escassas e forte uso de IA; são dados globais, não específicos do Brasil.

A PwC publicou nesta terça-feira uma nova edição da Global Workforce Hopes and Fears Survey, levantamento sobre expectativas e experiências no trabalho. A pesquisa reuniu respostas de 49.364 pessoas em 48 países e regiões e 29 setores, entre maio e junho de 2026. Os dados foram ponderados segundo idade e gênero em cada país ou região. Embora inclua trabalhadores de várias partes do mundo, os números destacados pela divulgação são globais: não devem ser lidos como uma medição específica do Brasil ou da América Latina.

O dado central sobre desenvolvimento profissional é que 51% dos respondentes dizem ter acesso aos recursos de aprendizagem e desenvolvimento de que precisam no trabalho. Na edição anterior, eram 59%, uma queda de oito pontos percentuais. Esse indicador não diz sozinho quantas horas de treinamento cada empresa oferece nem mede a qualidade de cada curso; mostra a percepção dos trabalhadores sobre se encontram apoio suficiente para aprender.

A pesquisa também descreve um grupo que a PwC chama de “engrenagem operacional”, formado por 56% dos respondentes. Na classificação da consultoria, são pessoas cujas habilidades são menos escassas no mercado e que ainda estão no início da curva de aprendizagem de IA. Apenas dois em cada cinco desse grupo afirmam ter acesso aos recursos de desenvolvimento necessários. A própria categoria é um recorte analítico do estudo, não uma avaliação objetiva do valor ou do potencial de cada profissional.

Do outro lado, a PwC identifica os “líderes” ou pioneiros, 14% da amostra, definidos por combinar habilidades escassas e maior domínio de IA. Outros grupos reúnem profissionais que usam IA para entregar mais ou que têm conhecimentos especializados sem ter avançado tanto nessa aprendizagem. O relatório aponta que os pioneiros relatam receber mais reconhecimento por aprender e desafiar formas de trabalho, mas também encontra um sinal de mobilidade: 29% deles dizem que é muito ou extremamente provável que mudem de empregador no próximo ano. Trata-se de intenção declarada, não de uma previsão de que essas pessoas efetivamente pedirão demissão.

O uso de IA aparece mais disseminado: 64% dizem ter usado IA no trabalho nos 12 meses anteriores, dez pontos percentuais acima do ano passado; o uso diário de IA generativa subiu de 14% para 22%. Entre quem usa IA todos os dias, 68% relatam confiança na segurança do emprego, contra 57% entre usuários ocasionais. A diferença é uma associação observada pela pesquisa. Ela não demonstra que usar IA aumente a segurança no emprego; experiência, função, treinamento e condições do trabalho também podem influenciar as respostas.

A leitura conjunta dos resultados coloca duas questões para as empresas. A primeira é como evitar que a capacitação chegue apenas a especialistas e lideranças que já dispõem de mais acesso a ferramentas e oportunidades. A segunda é como reter as pessoas que combinam conhecimentos difíceis de encontrar com a capacidade de aplicar tecnologia. Um programa de treinamento, por si só, não resolve sobrecarga, falta de perspectiva ou ausência de reconhecimento; da mesma forma, abrir licenças de IA não garante que as equipes saibam quando confiar nos resultados ou como corrigir erros.

Para o RH, os dados favorecem uma estratégia que parte das tarefas e das barreiras reais de aprendizagem. Isso pode incluir tempo reservado durante o expediente, exemplos ligados ao trabalho cotidiano, orientação de gestores e caminhos de desenvolvimento que não dependam de acesso informal a ferramentas. Vale acompanhar quem participa e quem fica de fora, o que as pessoas conseguem aplicar, a qualidade das entregas e a percepção de reconhecimento. A segmentação da PwC pode gerar perguntas para a empresa, mas não deve ser usada para rotular trabalhadores ou presumir que certas funções tenham menos futuro.

Para profissionais, o levantamento reforça que desenvolver repertório em IA pode ser útil, mas não substitui conhecimento da área nem a capacidade de conferir o próprio trabalho. Ao montar um exemplo para currículo ou entrevista, explique o problema, o processo apoiado pela ferramenta, como verificou a resposta e qual limite ou risco precisou considerar. Também é razoável perguntar sobre treinamento, tempo para aprender e regras de uso na função desejada. Como se trata de uma pesquisa global produzida pela PwC, com respostas autorrelatadas e divulgação da própria consultoria, seus resultados servem como contexto — não como retrato estatístico de todos os trabalhadores brasileiros nem garantia de mobilidade ou emprego.

Para quem contrata

A pesquisa global aponta uma combinação que merece atenção: o acesso percebido à aprendizagem caiu, enquanto profissionais com habilidades escassas e domínio de IA relatam mais mobilidade. Use isso como hipótese para investigar sua própria força de trabalho. Meça quem consegue participar, reserve tempo de aprendizagem nas rotinas e conecte capacitação a oportunidades e reconhecimento. Os resultados são autorrelatados e não específicos do Brasil.

Para sua carreira

Transforme sua aprendizagem em evidência: apresente uma tarefa real, como você usou a ferramenta, quais fontes ou critérios conferiu e o que melhorou. Conhecimento do setor, comunicação e senso crítico continuam relevantes junto ao uso de IA. Em entrevistas, pergunte sobre acesso a treinamento, tempo protegido para aprender e diretrizes de uso; a pesquisa global não prevê o resultado de uma candidatura individual.

Fonte: PwC via PR Newswire Brasil