PMI industrial sobe a 46,1, mas produção e pedidos seguem em queda
Pesquisa de outubro, divulgada em 3 de novembro, mostra contração menos intensa na indústria de transformação. A produção recuou pelo sexto mês seguido e as novas encomendas continuaram caindo.
O índice de gerentes de compras da indústria brasileira, o PMI, passou de 44,8 em setembro para 46,1 em outubro. A S&P Global divulgou a pesquisa em 3 de novembro. O avanço indica que as condições pioraram a um ritmo menor. Como o índice continua abaixo de 50, o resultado ainda aponta contração em relação ao mês anterior.
A produção caiu pelo sexto mês consecutivo. A Reuters informou que cerca de 22% das empresas consultadas relataram redução da atividade. As novas encomendas recuaram pelo 19º mês seguido, embora a queda tenha perdido força em relação a setembro. Um mês de melhora no índice geral, portanto, ainda convive com menos trabalho chegando às fábricas pesquisadas.
A sondagem também captou uma leve queda no emprego do setor. Segundo o Trading Economics, houve empresas preenchendo vagas de tempo integral e empresas reduzindo equipes. Esse quadro ajuda a explicar por que o agregado pode apontar fraqueza mesmo quando algumas fábricas ainda recrutam. A sondagem não informa o saldo de admissões e desligamentos nem permite identificar quais empresas estão contratando.
O PMI é construído a partir de respostas de empresas sobre o que melhorou, piorou ou ficou estável frente ao mês anterior. A pesquisa acompanha variáveis como pedidos, estoques, prazos de entrega, produção e emprego. O número 46,1 expressa a direção das condições no conjunto da amostra. Ele não é a variação percentual da produção industrial. Para acompanhar volume produzido e vínculos de trabalho, é preciso consultar indicadores que meçam essas grandezas diretamente.
Os relatos de outubro também mostraram menor pressão de custos, embora ainda elevada, e maior confiança das empresas sobre a produção futura. Expectativa e demanda corrente são medidas diferentes. Uma empresa pode esperar pedidos melhores nos próximos meses e, ao mesmo tempo, organizar os turnos de hoje para uma carteira menor.
A próxima leitura útil é observar se as encomendas, a produção e o emprego começam a se mover na mesma direção. A melhora do índice de outubro, isoladamente, não permite concluir que a atividade já voltou a crescer.
Metodologia da pesquisa S&P Global: https://www.spglobal.com/market-intelligence/en/solutions/products/pmi
Leitura complementar sobre outubro: https://tradingeconomics.com/brazil/manufacturing-pmi/news/597697
Para quem contrata
Ao planejar o quadro de uma fábrica, use a sondagem como contexto para revisar cenários, junto com pedidos firmes, entregas previstas e horas disponíveis na sua operação. Por exemplo, se uma linha trabalha abaixo da capacidade enquanto outra enfrenta atrasos, a equipe pode avaliar treinamento para remanejar pessoas entre elas. O índice nacional sozinho não mostra qual ajuste faz sentido para cada unidade.
Para sua carreira
Se você busca trabalho na indústria, acompanhe os anúncios da sua região e confira as exigências de cada empresa. Organize exemplos concretos de como você lê instruções de produção, usa instrumentos de medição, registra falhas ou cumpre procedimentos de segurança. Um exemplo bem descrito pode mostrar sua capacidade de operar em mais de uma etapa, inclusive quando a fábrica revê turnos ou prioridades.
Fonte: Reuters, via InfoMoney · pesquisa S&P Global
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