Mombak abre segundo fundo para restaurar a Amazônia e obtém linha de R$ 200 milhões do BNDES
Startup brasileira concluiu o primeiro fechamento de um novo fundo, que busca captar US$ 150 milhões, e anunciou contrato de compra futura de créditos com a Salesforce. Em operação separada, a empresa terá acesso a uma linha de crédito de R$ 200 milhões do Fundo Clima, via BNDES.
A Mombak, empresa brasileira de remoção de carbono por restauração florestal, anunciou em 21 de setembro a conclusão do primeiro fechamento do The Amazon Reforestation Fund II e um contrato plurianual de compra futura de créditos de carbono com a Salesforce, segundo reportagem da Reuters publicada pelo UOL. O novo fundo tem meta de captação de US$ 150 milhões. A Mombak não informou o valor efetivamente comprometido no primeiro fechamento nem a identidade dos investidores; portanto, a meta não deve ser lida como dinheiro já captado.
A empresa também informou que contará com uma linha de crédito de R$ 200 milhões do Fundo Clima, operado pelo BNDES. Essa linha é financiamento de crédito e deve ser distinguida tanto de aportes de investidores no fundo quanto do contrato comercial de compra de créditos. São três mecanismos diferentes: capital para o veículo de investimento, dívida para financiar operações e demanda futura de um comprador por créditos entregues.
O contrato da Salesforce prevê compras ao longo de vários anos. A Mombak também aponta Microsoft e Google entre seus compradores. Esses acordos ajudam a dar visibilidade à demanda, mas não equivalem a receita integral já recebida: dependem da execução dos projetos, da geração e verificação das remoções e das condições de entrega previstas nos contratos.
Como referência de escala, a Reuters relata que o primeiro fundo da Mombak captou US$ 120 milhões e financiou projetos em 15 fazendas na Amazônia, com quase 15 milhões de árvores plantadas, segundo dados atribuídos à empresa. A Mombak espera que a segunda emissão de créditos do primeiro fundo chegue a cerca de 80 mil toneladas até o fim de 2026. Esse volume é uma expectativa futura, não um resultado já certificado.
O modelo depende de desafios operacionais e ambientais: permanência da restauração, medição independente do carbono removido, risco de incêndios e eventos climáticos, qualidade das parcerias com proprietários e comunidades locais e cumprimento dos padrões de certificação. Remoção de carbono por restauração também não deve ser confundida com qualquer tipo de compensação de emissões.
Para quem acompanha empresas e RH, os marcos a observar são o fechamento efetivo da captação, a execução dos projetos e a entrega de créditos verificados. A operação pode demandar competências em restauração florestal, silvicultura, geoprocessamento, sensoriamento remoto, contabilidade de carbono, auditoria, finanças e gestão de campo. O anúncio, por si só, não confirma abertura de vagas.
Para quem contrata
Para empregadores do ecossistema de clima e restauração, o caso mostra como financiamento, contratos de compra e execução ambiental precisam ser coordenados. Acompanhe o fechamento real do fundo, os prazos de entrega e a mensuração independente antes de tratar a meta de captação ou os créditos esperados como resultados realizados. As competências envolvidas podem cruzar operações de campo, dados geoespaciais, verificação de carbono, finanças e parcerias locais; o anúncio não informa novas vagas.
Para sua carreira
Para profissionais, áreas relacionadas incluem restauração florestal e silvicultura, GIS e sensoriamento remoto, inventário e monitoramento de carbono, auditoria e certificação, gestão de projetos e operações de campo. Fortaleça fundamentos técnicos e experiência aplicada, e acompanhe os requisitos específicos de cada função: o anúncio de financiamento não significa que a empresa esteja contratando.
Fonte: Reuters / UOL Economia