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IA cria novas funções e incorpora habilidades a carreiras existentes, aponta reportagem

Reportagem da Infobae reúne dados do LinkedIn, PwC, Deel e levantamentos regionais para mostrar duas mudanças: o crescimento global de funções ligadas à IA e a entrada de competências em IA em ocupações já conhecidas. Os números têm recortes diferentes e não são uma previsão de vagas para o Brasil.

Em reportagem publicada em 28 de setembro, Mariano Zalazar, da Infobae, examina como a inteligência artificial está mudando o trabalho por dois caminhos: o surgimento de funções dedicadas a desenvolver, treinar e implementar sistemas e a incorporação de habilidades digitais em ocupações que já existiam. O texto ouve Alejandro Servide, executivo da Randstad para Argentina e Chile, e reúne dados do LinkedIn, PwC, Deel, Michael Page e Randstad.

O relatório de mercado de trabalho de 2026 do LinkedIn estima que 1,3 milhão de funções habilitadas por IA surgiram globalmente nos últimos dois anos. Entre os exemplos estão engenharia de IA, liderança de IA e anotação de dados. A reportagem também destaca o crescimento de engenheiros de implementação próximos às equipes de negócio, profissionais que ajudam a integrar sistemas de IA a processos reais. Esses números descrevem tendências observadas na rede e no mercado global do LinkedIn; não indicam quantas vagas estão abertas hoje em cada país.

Um segundo recorte vem do Barômetro Global de Empregos em IA de 2026, da PwC, baseado em mais de um bilhão de anúncios de trabalho em seis continentes. O relatório aponta que as vagas que pedem habilidades específicas de IA cresceram 69% mais rápido do que o conjunto de vagas analisadas e estima um prêmio salarial médio de 62% para competências de IA. São resultados globais, associados a anúncios e remunerações em diferentes setores; não significam que toda pessoa que conclua um curso receberá esse aumento nem que o mesmo diferencial se aplique automaticamente ao Brasil.

A transformação também aparece dentro de profissões tradicionais. A reportagem lista engenharia de software, redação, assistência administrativa, análise de estratégia, dados, marketing e gestão de programas entre os cargos que passaram a incorporar alfabetização em IA. Na prática, isso pode significar usar ferramentas para rascunhar, classificar ou resumir informações, mas também verificar respostas, reconhecer limitações e manter responsabilidade pelo resultado. A demanda não se restringe a equipes técnicas: o texto identifica possíveis funções híbridas em áreas comerciais, operações, jurídico e RH.

O estudo da PwC descreve ainda duas trajetórias: em algumas ocupações, a IA automatiza tarefas rotineiras e amplia o peso do conhecimento especializado e do julgamento; em outras, facilita atividades antes reservadas a quem tinha mais experiência. Uma análise separada de 2,4 milhões de vagas de entrada nos Estados Unidos encontrou maior presença de requisitos como liderança, criatividade e interação humana em funções mais expostas à IA. Esse recorte ajuda a formular perguntas sobre formação e início de carreira, mas não deve ser tratado como retrato dos processos seletivos no Brasil ou na América Latina.

Esses estudos medem coisas diferentes: funções identificadas na rede do LinkedIn, anúncios de vagas e relações entre competências e remuneração em dezenas de países. Em conjunto, ajudam a identificar mudanças de perfil, mas não demonstram que a IA esteja criando empregos líquidos em todos os setores, eliminando funções na mesma proporção ou produzindo o mesmo efeito em Brasil, Argentina e outros mercados. A reportagem não apresenta um levantamento de vagas abertas no Brasil.

Para as empresas, o sinal mais prático é revisar tarefas e competências antes de alterar cargos ou selecionar pessoas apenas por uma lista de ferramentas. Definir onde a IA pode ser usada, quais dados entram nos sistemas, como as respostas serão verificadas e quem responde pelas decisões ajuda a transformar experimentos em trabalho confiável. A capacitação também precisa estar ligada a processos concretos: aplicar uma ferramenta em uma rotina, comparar o resultado com critérios definidos e corrigir erros.

Para profissionais, aprender a usar uma ferramenta é apenas parte da preparação. É útil demonstrar como você a aplica em uma situação da sua área, como confere fatos, protege dados e explica os limites do resultado. Conhecimento do setor, comunicação, julgamento e capacidade de aprender continuam importantes justamente porque ajudam a decidir quando aceitar, revisar ou rejeitar a sugestão de um sistema. O crescimento de ocupações de IA é uma tendência global; não substitui a busca por oportunidades confirmadas no país ou na área de cada pessoa.

Para quem contrata

Use os dados como sinal para mapear tarefas e lacunas de competência, não como previsão de vagas ou justificativa automática para reduzir equipes. Escolha um processo delimitado, defina critérios de qualidade e privacidade, forme quem executa o trabalho e mantenha uma pessoa responsável pelas decisões. Os números de LinkedIn, PwC, Deel e Randstad têm bases e geografias distintas.

Para sua carreira

Conecte o aprendizado de IA a uma atividade real da sua área. Monte um exemplo que mostre o problema, a ferramenta usada, como você verificou o resultado e o que precisou corrigir. Competência de domínio, comunicação e julgamento ajudam a demonstrar valor; os indicadores globais citados não garantem salário maior ou vaga específica no Brasil.

Fonte: Infobae