Hackathon da Coppe transforma desafios do setor elétrico em protótipos de IA
Maratona da Coppe/UFRJ reuniu 60 finalistas em 12 equipes para trabalhar com desafios e dados do setor elétrico. Três protótipos foram premiados, incluindo ferramentas para prever demanda, pesquisar regras da Aneel e analisar gargalos de transmissão.
A etapa final do Hackathon IA Coppe 2026 reuniu 60 participantes, organizados em 12 equipes, para desenvolver protótipos de inteligência artificial ligados a problemas concretos da transição energética. A maratona presencial ocorreu de 25 a 27 de setembro, no Rio de Janeiro, e os resultados foram divulgados pela Coppe/UFRJ em 2 de outubro. Estudantes, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas trabalharam com dados reais e desafios do setor elétrico, como reduzir desperdício de energia renovável e diminuir a necessidade de acionar usinas termelétricas.
O formato começou antes do encontro presencial. Segundo a Coppe, os 60 finalistas foram selecionados entre mais de 530 inscritos e passaram por treinamento e uma etapa de ideação cerca de 20 dias antes da maratona. Durante o desenvolvimento, os grupos tiveram orientação em energia, inteligência artificial, produto, inovação e negócios. Em três dias, precisaram sair da definição do problema até uma demonstração capaz de explicar tanto o que o protótipo faz quanto em que situação poderia ser aplicado.
A equipe Corp ficou em primeiro lugar com a Predicta, uma proposta que usa IA para antecipar picos de demanda e apontar períodos de consumo potencialmente mais baratos e eficientes. A ideia é apoiar uma melhor distribuição do uso de energia e aliviar pressão sobre a rede. A equipe reuniu integrantes da Coppe, UFF, UERJ e CEFET/RJ. A solução foi apresentada como protótipo; a divulgação não informa testes em operação comercial, redução de custos já medida ou adoção por distribuidoras e consumidores.
Em segundo lugar, a equipe CapiWatt criou uma ferramenta para localizar e organizar processos regulatórios da Aneel, com respostas acompanhadas de fontes verificáveis. A proposta mira uma tarefa que costuma exigir busca e leitura de documentos normativos. Ela ilustra um uso de IA que não precisa tomar a decisão final: pode ajudar a encontrar a regra relevante, desde que a pessoa consiga conferir a referência e interpretar o contexto jurídico e técnico.
A GPU Team, terceira colocada, combinou dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico com IA para identificar possíveis gargalos de transmissão e simular alternativas de investimento em infraestrutura. O objetivo apresentado é estudar como essas intervenções poderiam reduzir desperdícios de geração eólica e solar. Também aqui, a simulação apresentada no hackathon não equivale a uma obra aprovada nem comprova economia efetiva no sistema.
As três equipes receberam prêmios em dinheiro, créditos de computação da AWS e duas semanas de acesso ao supercomputador Santos Dumont, do Laboratório Nacional de Computação Científica. A primeira colocada recebeu R$ 10 mil, a segunda R$ 7 mil e a terceira R$ 5 mil; cada equipe também teve acesso a US$ 10 mil em créditos da AWS e ao período de uso do supercomputador. São recursos para continuar desenvolvendo as propostas, não rodadas de investimento, contratos comerciais ou comprovação de que os produtos serão lançados. A Coppe informou que alguns projetos poderão conversar com empresas interessadas ou avaliar incubação, sem confirmar acordos ou continuidade para cada equipe.
Os três projetos mostram como a IA pode ser aplicada a tarefas bem diferentes dentro de um mesmo setor: previsão de consumo, busca regulatória com referências e análise de gargalos em infraestrutura. Essa variedade importa porque projetos aplicados exigem mais do que escolher um modelo. As equipes precisam transformar uma questão operacional em dados úteis, definir o que significa uma resposta correta, explicar limites e considerar como a ferramenta se encaixaria em decisões e sistemas já existentes.
Para empresas de energia, o evento oferece exemplos de competências que podem compor equipes multidisciplinares: engenharia elétrica, ciência de dados, desenvolvimento de software, produto, regulação e conhecimento das operações. Em uma contratação ou parceria, a demonstração de um protótipo é um ponto de partida. É preciso verificar qualidade dos dados, desempenho em cenários diferentes, segurança, explicabilidade e quem responde quando uma recomendação falha. A notícia não anuncia vagas nem indica que as equipes vencedoras foram contratadas.
Para profissionais e estudantes, a maratona mostra como transformar experiência técnica em evidência compreensível. Um portfólio forte pode explicar o problema, a origem e as limitações dos dados, as decisões tomadas pelo grupo, como o modelo foi avaliado e o que ainda precisaria ser testado antes de uso real. Saber apresentar uma solução a pessoas de energia, tecnologia e negócio também faz parte do trabalho. O resultado do hackathon é um protótipo reconhecido em uma competição; não é validação independente de impacto ou promessa de emprego.
A etapa seguinte será acompanhar quais propostas passam da apresentação para testes com usuários, validação operacional e eventual incubação. Para isso, serão necessários dados acessíveis e confiáveis, integração com rotinas do setor, critérios claros de segurança e responsáveis humanos pelas decisões. O valor do evento está tanto nas ideias quanto na aproximação entre formação, pesquisa e desafios reais de empresas e serviços públicos.
Para quem contrata
Ao avaliar projetos de IA aplicada à energia, envolva especialistas do setor, tecnologia, dados e usuários da operação desde a definição do problema. Para funções e parcerias, examine como a equipe validou dados e protótipos e se consegue explicar limites, riscos e próximos testes. Premiação em hackathon não comprova adoção comercial nem representa anúncio de contratação.
Para sua carreira
Use projetos práticos para demonstrar como você conectou um problema real a dados, modelo, produto e comunicação. Explique as fontes, os critérios de avaliação, os erros que encontrou e o que seria necessário validar em campo. O hackathon mostra caminhos de atuação entre energia, IA, regulação e software, mas não anuncia vagas para as equipes vencedoras.
Fonte: Coppe/UFRJ