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Factorial registra 35,43 mil usos de IA para resumir candidaturas

Dados da própria hrtech, analisados entre outubro de 2025 e agosto de 2026, mostram o resumo de candidatos entre as aplicações mais usadas de seu agente. A Factorial descreve uma passagem de consultas simples para análises e rotinas de RH; o recorte não representa todo o mercado.

Um agente de IA pode começar respondendo quantas pessoas estão ativas na empresa e, com a familiaridade, passar a apoiar relatórios de absenteísmo, pesquisas internas ou trilhas de treinamento. Esse caminho aparece em um levantamento de uso do One, agente de inteligência artificial da Factorial, uma empresa espanhola de tecnologia para RH que opera no Brasil.

Segundo dados da própria Factorial divulgados ao Mobile Time, o estudo acompanhou mais de 1,5 mil interações reais de clientes com o agente em seis frentes: gestão de pessoas, ausências e férias, criação de conteúdo, processos e fluxos, recrutamento e treinamento. Entre outubro de 2025 e agosto de 2026, a ferramenta registrou 35,43 mil utilizações da funcionalidade de resumo de candidatos, voltada a processar informações de perfis para apoiar a análise no recrutamento.

O dado que chama a atenção não é apenas o volume de resumos. De acordo com a empresa, os primeiros pedidos tendiam a buscar informações que já estavam registradas no sistema — por exemplo, quantas pessoas estavam ativas ou quem sairia de férias. Com o uso, os pedidos avançaram para tarefas que exigem reunir e estruturar mais dados, como relatórios de absenteísmo e a criação de pesquisas, políticas e programas de treinamento.

Essa sequência é compatível com uma curva de aprendizagem: primeiro, as equipes testam se conseguem conversar com a ferramenta e recuperar informação; depois, começam a delegar partes de tarefas mais elaboradas. Mas quantidade de interações não equivale, por si só, a produtividade ou qualidade. O material divulgado não apresenta um grupo de comparação, taxa de erro, tempo economizado ou avaliação independente dos resultados. Além disso, os registros vêm de clientes da Factorial que usam o One — não são uma amostra representativa de todos os departamentos de RH do Brasil.

A distinção importa especialmente na seleção. Um resumo pode ajudar a localizar competências ou experiências em um grande volume de currículos, mas também pode omitir contexto, reproduzir lacunas dos dados ou dar peso excessivo a palavras-chave. A reportagem descreve uma função de resumo; não informa que ela ranqueie candidatos, tome decisões de contratação ou elimine candidaturas automaticamente. O resumo deve ser tratado como apoio à leitura, preservando o acesso ao perfil original e a revisão por uma pessoa responsável.

Para organizações que avaliam soluções desse tipo, um piloto útil começa com uma tarefa delimitada e critérios verificáveis: conferir se o resumo representa corretamente a fonte, medir tempo e retrabalho, analisar diferenças entre grupos e definir quais dados podem ser consultados. Também é preciso informar quem responde pelo resultado, como erros podem ser corrigidos e quando uma decisão exige avaliação humana. Em rotinas de RH, dados sobre desempenho, saúde, remuneração e seleção pedem controles de acesso e finalidade claros.

A evolução observada pela Factorial sugere que o valor não está em “usar IA” como fim. Está em escolher tarefas repetitivas ou intensivas em informação, entender como a equipe realmente trabalha e testar se a ferramenta melhora o processo sem reduzir a qualidade do julgamento. Para o RH, essa combinação de desenho de fluxo, governança e capacitação é mais reveladora do que a contagem bruta de prompts.

Para quem contrata

Trate os números como telemetria de clientes da Factorial, não como retrato de todo o RH brasileiro nem como prova independente de ganho de produtividade. Se avaliar um resumo de currículos, compare-o ao documento original, registre omissões e distorções, defina quais dados a ferramenta pode acessar e mantenha uma pessoa responsável pela triagem e pela decisão. Meça tempo, qualidade e diferenças entre grupos; volume de uso, isoladamente, não demonstra eficácia.

Para sua carreira

A reportagem fala de resumo de perfis, não de uma decisão automática de contratação. Por isso, mantenha seu currículo claro e fiel à experiência real: resultados, ferramentas usadas e sua contribuição específica ajudam tanto a leitura humana quanto a busca por informações. Se uma entrevista abordar IA na seleção, pergunte como ela é usada e quem revisa o resultado. Não tente “agradar ao algoritmo” com palavras-chave que não descrevem seu trabalho.

Fonte: Mobile Time