Estudo aponta alta adoção de IA no trabalho, mas falta de governança para ampliar agentes no Brasil
Pesquisa do Google Cloud, IDC e Provokers diz que 71% dos participantes brasileiros usam assistentes de IA no trabalho e 59% já delegam tarefas a agentes. Apenas 17% das empresas teriam consolidado a governança necessária para escalar esses sistemas.
O Google Cloud divulgou em 24 de setembro novos dados sobre o uso de inteligência artificial no trabalho no Brasil. No estudo Work: In Progress, realizado com IDC e Provokers, 71% dos participantes brasileiros disseram usar assistentes de IA em suas atividades, enquanto 59% afirmaram já delegar tarefas a agentes autônomos. O número que chama atenção para quem lidera equipes é outro: apenas 17% das empresas teriam consolidado a adoção com governança suficiente para levar agentes a vários processos centrais.
Os percentuais vêm de uma pesquisa online feita entre junho e julho de 2026. O levantamento ouviu 650 profissionais de empresas com pelo menos 500 funcionários no Brasil, dentro de uma amostra regional de 3.200 pessoas na América Latina. Portanto, os resultados descrevem sobretudo organizações de maior porte e não representam automaticamente todas as empresas, ocupações ou trabalhadores brasileiros. A divulgação também foi feita pela própria Google Cloud, que encomendou o estudo; convém tratar os dados como um retrato declarado pelos participantes, não como uma auditoria independente da produtividade nacional.
O levantamento sugere que experimentar IA e incorporá-la com controles são etapas diferentes. Um assistente pode ajudar uma pessoa a escrever, resumir ou pesquisar. Um agente pode receber uma meta, consultar sistemas, executar etapas e alterar um fluxo de trabalho. Quando a tecnologia ganha permissão para agir sobre dados e processos, as empresas precisam decidir quem autoriza o acesso, quais tarefas podem ser executadas sem aprovação, como revisar erros e como reconstruir o que ocorreu. A diferença entre os 71% que usam assistentes e os 17% de organizações com governança consolidada aponta justamente para esse intervalo entre uso individual e operação em escala.
A pesquisa também indica uma lacuna de capacitação: 75% dos profissionais brasileiros ouvidos disseram não saber bem o que pedir à IA, ante 77% na média regional. Esse resultado não significa que três quartos da força de trabalho brasileira sejam incapazes de usar a tecnologia: a amostra é empresarial e a pergunta trata da formulação de pedidos. Ainda assim, ela mostra que disponibilizar uma ferramenta não garante que as pessoas saibam conectá-la a um problema real, verificar a resposta e reconhecer quando a saída não é confiável.
A Google Cloud apresentou exemplos empresariais para ilustrar a passagem de testes para uso operacional. A empresa diz que a Livelo recuperou 20 mil horas por ano ao automatizar tarefas como moderação de avaliações e etapas de campanhas. Em outro exemplo divulgado pela companhia, o Bradesco teria reduzido a revisão de documentos fiscais, contábeis e contratuais de cerca de uma hora para cinco minutos. São resultados relatados pela fornecedora e pelas organizações citadas; o anúncio não apresenta uma avaliação independente que permita generalizar os ganhos para outros ambientes.
No mesmo evento, a Google Cloud anunciou 10 mil vouchers gratuitos para certificações de desenvolvedores no Brasil e ampliou para três milhões sua meta de capacitação em IA e nuvem até 2030. A publicação da empresa cita credenciais como Associate Cloud Engineer e Generative AI Leader, mas não detalha no anúncio os critérios nem o processo de inscrição dos vouchers. Também está prevista para 25 de setembro uma edição do Capacita+, treinamento híbrido gratuito que, segundo a empresa, pretende alcançar 200 mil participantes em um dia.
Para organizações, a questão prática deixa de ser apenas “qual ferramenta comprar?” e passa a incluir a seleção de tarefas, a classificação dos dados, o nível de permissão concedido ao agente e o responsável por conferir exceções. Um piloto útil começa com um processo delimitado, registra o tempo e a qualidade atuais, mantém revisão humana nas decisões relevantes e mede erros, retrabalho e satisfação depois da mudança. Adoção declarada não é o mesmo que benefício comprovado; cada empresa precisa testar seus próprios resultados e controles.
Para profissionais, uma demonstração concreta vale mais que dizer apenas que “sabe usar IA”. Escolha uma atividade pequena, explique como a dividiu, que contexto forneceu, como verificou a resposta e o que mudou no resultado. Saber formular uma boa tarefa, perceber limitações e proteger informações do trabalho são capacidades transferíveis entre ferramentas. O estudo aponta interesse e uso crescentes, mas não comprova que uma certificação ou o domínio de um produto específico garanta contratação.
Para quem contrata
Para quem contrata, os dados reforçam a diferença entre liberar acesso a uma ferramenta e incorporar agentes a processos com segurança. Mapeie tarefas e dados, defina permissões e responsáveis, determine quando uma pessoa precisa aprovar uma ação e acompanhe qualidade, erros e retrabalho junto com o tempo economizado. Faça pilotos com uma linha de base e amplie apenas quando houver evidência local. Os percentuais vêm de uma pesquisa encomendada pela Google Cloud, com 650 profissionais de empresas brasileiras de grande porte; não devem ser tratados como retrato de todo o mercado nem como prova de produtividade garantida.
Para sua carreira
Para sua carreira, pratique IA em uma tarefa concreta da sua área e documente o processo: problema, instruções, fontes usadas, revisão humana, limitações e resultado observado. Essa evidência demonstra julgamento e capacidade de verificar, além de familiaridade com ferramentas. O estudo relata que muitos participantes ainda têm dificuldade para formular pedidos eficazes. A Google Cloud anunciou 10 mil vouchers gratuitos de certificação no Brasil, mas o anúncio consultado não explica como se candidatar; acompanhe os canais oficiais para critérios e inscrições. Nenhum desses dados significa que uma empresa específica esteja contratando.
Fonte: Google Cloud