Doroth capta R$ 23 milhões para construir indústria de chips microfluídicos no Brasil
A deeptech de diagnóstico molecular recebeu rodada liderada pela Loccus, com recursos privados e de Finep e Fapesp, para ampliar pesquisa, produção e automação.
A Doroth, deeptech de Piracicaba (SP) especializada em plataformas lab-on-a-chip, captou R$ 23 milhões em uma rodada liderada pela Loccus. A operação, publicada em 1º de setembro de 2026, combina capital privado com recursos de fomento da Finep e da Fapesp.
As plataformas da Doroth miniaturizam etapas de diagnóstico molecular em equipamentos compactos e automatizados. Elas podem preparar amostras, extrair material genético, amplificar sinais e ler resultados para identificar patógenos, organismos geneticamente modificados e genes de resistência em folhas, sementes, grãos, leite e carne.
O principal destino dos recursos é a expansão de pesquisa, desenvolvimento e produção. Doroth e Loccus planejam construir a primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina, com capacidade anunciada de até 4 milhões de chips por ano. A Loccus deve contribuir com fabricação, infraestrutura, integração tecnológica e suporte regulatório, enquanto a Doroth permanece concentrada em desenvolvimento de produtos e captação.
A proposta tem relevância para o agronegócio e para a cadeia brasileira de diagnósticos. Produzir chips, reagentes e sensores no país pode reduzir dependência de componentes importados e encurtar o caminho entre pesquisa e aplicação. A execução, porém, depende de validação técnica, escala industrial, certificações e adoção pelos clientes.
A nova planta também deve produzir lyobeads e enzimas proprietárias para técnicas como qPCR, LAMP e Extreme PCR. Segundo a empresa, um dos produtos pode entregar resultados em menos de cinco minutos. Como esses números vêm de declarações dos envolvidos, precisam ser confirmados em condições independentes de uso e em diferentes tipos de amostra.
Para o RH, a operação mostra o tipo de equipe necessário para transformar uma deeptech em indústria: biologia molecular, microfluídica, engenharia, eletrônica, óptica, automação, software, qualidade e assuntos regulatórios. A contratação precisa considerar colaboração entre laboratório, fábrica e mercado, além da capacidade de documentar testes e tratar não conformidades.
Para profissionais, o caso oferece uma referência de carreira interdisciplinar. Um portfólio pode explicar um problema de diagnóstico, o desenho de um experimento, os critérios de validação e as limitações do protótipo. Não é necessário apresentar uma fábrica pronta; é mais útil mostrar como uma hipótese foi testada e melhorada.
A rodada foi noticiada pelo Startups e os planos de capacidade são declarações da Doroth e da Loccus. O aporte não garante disponibilidade comercial imediata, empregos ou resultados clínicos. A relevância da operação será medida pela produção efetiva, pelos testes aprovados e pelo uso dos produtos em escala.
Para quem contrata
Análise Orbite: para contratar em deeptech, combine avaliação técnica com exemplos de documentação, validação e trabalho entre pesquisa e produção. Procure pessoas que saibam lidar com requisitos regulatórios e mudanças de escala.
Para sua carreira
Descreva um projeto técnico mostrando hipótese, experimento, resultado e próxima iteração. Em áreas de ciência e engenharia, a clareza do método pesa tanto quanto o resultado final.
Fonte: Startups