Cognition AI capta US$ 2 bilhões e amplia operação no Brasil com o agente Devin
A startup dona do Devin anunciou uma Série E de US$ 2 bilhões, abriu escritório em São Paulo e cita o Itaú entre os clientes que usam o agente para corrigir vulnerabilidades.
A Cognition AI, empresa responsável pelo agente de programação Devin, captou US$ 2 bilhões em uma rodada Série E anunciada em 8 de setembro de 2026. A operação levou a companhia a uma avaliação de US$ 48 bilhões, segundo a cobertura do Startups.
A rodada foi liderada por Andreessen Horowitz e Accel, com participação de Founders Fund, General Catalyst, Avenir, Benchmark, Bessemer, Kleiner Perkins, Greylock, Lightspeed, NVIDIA e outros investidores. A empresa também informou que sua receita anualizada passou de US$ 492 milhões para quase US$ 900 milhões em cerca de quatro meses.
O produto central é o Devin, apresentado pela Cognition como um engenheiro de software autônomo. Ele pode receber tarefas de desenvolvimento, operar ferramentas e devolver código ou correções para revisão de uma equipe. A proposta muda a divisão do trabalho: profissionais passam a definir problemas, supervisionar agentes e validar entregas, em vez de apenas escrever cada linha manualmente.
No Brasil, a companhia abriu um escritório em São Paulo para atender oportunidades na América Latina. O caso citado pela própria empresa é o Itaú, que usaria a ferramenta para corrigir automaticamente 70% das vulnerabilidades de segurança. Esse percentual é uma declaração da empresa e precisa ser interpretado com contexto: tipo de vulnerabilidade, critério de correção, ambiente de teste e revisão humana fazem diferença.
A expansão de agentes de código cria uma demanda por competências de arquitetura, segurança, observabilidade e governança. Um agente que acessa repositórios e executa mudanças precisa ter permissões mínimas, trilhas de auditoria, revisão por pull request e um caminho seguro para desfazer alterações. Velocidade sem controle pode transferir o problema para a etapa de validação.
Para o RH, a mudança não significa simplesmente contratar menos desenvolvedores. O trabalho tende a se deslocar para definição de escopo, revisão técnica, proteção de dados, testes, integração e responsabilidade pelo resultado. Em processos seletivos, vale pedir exemplos de como a pessoa avaliou código gerado, identificou uma falha e decidiu quando não automatizar.
Para quem está construindo carreira, é útil praticar com tarefas delimitadas e repositórios de teste. Registre a instrução, o resultado, os erros encontrados, os testes executados e o que foi corrigido por você. Esse processo demonstra capacidade de trabalhar com IA sem confundir geração automática com entrega pronta.
A rodada e os números de receita são informações reportadas pela empresa e pela imprensa especializada. O aporte não confirma vagas específicas, nem garante que os mesmos resultados ocorrerão em outras organizações. O impacto no mercado brasileiro dependerá da adoção real, da qualidade das integrações e da capacidade das equipes de supervisionar agentes.
Para quem contrata
Análise Orbite: ao avaliar agentes de programação, defina uma tarefa de baixo risco, use ambiente isolado, registre permissões e meça defeitos, tempo de revisão e retrabalho. Na contratação, procure evidências de supervisão e segurança, não apenas familiaridade com o nome Devin.
Para sua carreira
Monte um pequeno projeto em repositório de teste e documente como você revisou código gerado por IA. Explique o que automatizou, quais testes executou e quais decisões permaneceram suas.
Fonte: Startups