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Bepass leva biometria facial de estádios para Chile e Colômbia e mira R$ 44 milhões

A startup brasileira fundada em 2022 já atende nove estádios, opera na Argentina e no Chile e projeta crescer de R$ 15 milhões para R$ 26 milhões em receita em 2026. O próximo passo inclui pagamentos por reconhecimento facial e validação de meia-entrada.

A Bepass, startup brasileira de biometria facial para acesso a estádios, está ampliando sua operação na América Latina. Fundada em 2022, a empresa já atende nove arenas no Brasil, mantém operações na Argentina e no Chile e projeta elevar o faturamento de R$ 15 milhões em 2025 para R$ 26 milhões em 2026. A meta informada para 2027 é chegar a R$ 44 milhões.

A expansão acontece em um mercado que ganhou uma exigência regulatória específica. Desde junho de 2025, estádios brasileiros com mais de 20 mil lugares precisam ter identificação biométrica para controlar o acesso do público. A Bepass começou a atuar antes da entrada em vigor da regra e transformou essa antecipação em uma posição comercial relevante.

A empresa recebeu ainda em 2022 uma proposta do Palmeiras para instalar reconhecimento facial no estádio do clube. O objetivo inicial era enfrentar problemas como cambismo, uso indevido de ingressos e filas no acesso. A solução foi implementada em 2023 e passou a ser levada para outras arenas, entre elas Maracanã, MorumBIS, Nilton Santos, Vila Belmiro, Arena do Grêmio e Arena Crefisa Barueri.

O modelo de negócio ajuda a explicar a velocidade de adoção. A Bepass banca o investimento inicial em catracas, equipamentos e sistemas, sem custo direto para o clube, e recebe por acesso realizado. Isso reduz a barreira inicial para o organizador, mas exige capital da própria startup antes que a receita dos contratos seja recuperada.

A internacionalização começou pela Argentina, com o Club Atlético Vélez Sarsfield, e avança para Chile e Colômbia. A companhia também mira México e Estados Unidos em 2027. A Europa ficou fora da prioridade neste momento, segundo o fundador Ricardo Cadar, em razão de legislações de proteção de dados mais restritivas. A expansão, portanto, depende de adaptar tecnologia, contratos e governança a cada país.

A Bepass prepara duas novas frentes de receita. O Bepass Pay permitirá pagamentos dentro dos estádios usando a própria biometria facial. A empresa também desenvolve uma ferramenta para validar previamente quem tem direito à meia-entrada. A promessa é reduzir perdas dos clubes e produtores ao conferir a elegibilidade antes do evento, com parte da receita adicional ficando com a startup.

Essas funções tornam a discussão sobre dados pessoais ainda mais importante. Uma operação de acesso usa uma característica biométrica sensível e precisa explicar finalidade, consentimento ou outra base legal aplicável, retenção, compartilhamento, segurança e atendimento aos direitos do titular. Pagamento facial adiciona uma camada financeira, e a validação de benefício exige critérios claros para evitar bloqueios injustos.

Para o RH, o caso mostra que uma startup de tecnologia aplicada precisa reunir competências de produto, segurança, integração, operações e relacionamento com clientes. O desafio não é somente criar um algoritmo de reconhecimento. É garantir que a solução funcione em ambientes movimentados, tenha suporte, registre incidentes e permita que uma pessoa corrija uma decisão quando a identificação falhar.

O modelo também cria um desafio de planejamento. Como a empresa investe antes e recupera o valor ao longo de contratos de quatro a cinco anos, a expansão consome caixa. A Bepass afirma que juros elevados tornam a dívida pouco atraente e que a companhia recorre à venda de participação para financiar a fase de investimento. A reportagem não informa uma nova rodada com valor e investidores definidos; o destaque é a expansão e a necessidade de capital para sustentá-la.

Para profissionais, a notícia indica oportunidades em biometria, identidade digital, antifraude, suporte de campo, privacidade, integração e operações de eventos. Um bom portfólio pode explicar um problema de acesso, os dados necessários, os riscos de erro e como medir tempo de entrada, falsos bloqueios e satisfação do público. Conhecer a tecnologia sem compreender a operação não basta.

A trajetória da Bepass mostra como uma mudança regulatória pode abrir espaço para uma solução que já estava sendo testada no mercado. As projeções de receita e os planos de novos países são declarações da empresa. O desempenho real dependerá de contratos, adoção pelos torcedores, confiabilidade dos sistemas, conformidade com a LGPD e capacidade de financiar a instalação dos equipamentos.

Para quem contrata

Análise Orbite: ao contratar para projetos de biometria, avalie experiência em privacidade, segurança, integração e operação em campo. Peça exemplos de tratamento de falhas e de revisão humana antes de automatizar decisões de acesso.

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Fonte: Startupz (fonte original: Exame)